Como primeira postagem achei que seria interessante falar sobre meu ponto de vista sobre comunicação e toda essa noção de transmitir ideias, bem como a maneira que enxergo isso. O.K., mas quem é você, e que importância tem sua opinião? Sou mais um (podia ser você, já que você sou eu em um universo diferente e vice-versa) e importância é algo bastante subjetivo, assim como alguém julga o resultado da última partida de futebol como algo de extrema importância e eu, pessoalmente, prefiro saber quando sai o próximo livro do Martin.
Dito isso, quero apontar que o simples e incrível ato de nos comunicarmos passa despercebido como trivialidade cotidiana, mas reflita: Quais tarefas são possíveis sem que nos comuniquemos? Muito provavelmente você pensará em algo que requira ação individual, exclusivamente. Seja em colmeias, ninhos de formigas ou em metrópoles, a comunicação (química, verbal ou escrita) faz-se essencial. Uma vez que o outro tem conhecimento de seus anseios e objetivo, ele é capaz de julgar quais repercussões o afetarão, e, caso lhe seja interessante, pode contribuir com a tua causa.
Entretanto, sobretudo no momento atual, talvez em razão dessa facilidade crescente, todos se sentem compelidos a expôr constantemente o que pensam sobre toda e qualquer coisa, fazendo pouco ou nenhum juízo sobre o que expõem. Eu, inclusive, por vezes me enquadro nessa categoria, quem nunca? Mas acredito que é um hábito que deve ser combatido. Nem toda mensagem é benéfica, nem toda mensagem é relevante, nem todo ouvinte é receptivo.
Assim chegamos ao valor do silêncio. Desde sempre eu nunca entendi o motivo real do desconforto que a maioria das pessoas sente ao estar em grupos e não ter nada a dizer. Na verdade é até um tanto divertido observar essa necessidade de preencher o silêncio com qualquer coisa: piadas (de gosto duvidoso), causos da vida alheia e o clima, é claro, são assuntos comuns. Não digo que puxar assunto seja algo ruim, não. Sou contrário à pressão social de ter de estar constantemente dizendo algo, mesmo quando não se quer e/ou não se tem nada a dizer. O silêncio bem empregado pode transmitir muito mais que qualquer palavra, especialmente emoções realmente intensas: um amor que se sente apenas no olhar ou a dor do luto que se compartilha em um abraço.
Eros e Tânatos
A palavra e o silêncio têm em meu panteão iguais níveis de santidade, a primeira me permite conhecer o outro, enquanto o segundo me permite conhecer a mim mesmo
